Isolamento acústico entre apartamentos nem sempre se resolve só com a troca do material da parede. Quando a voz ou a televisão do vizinho atravessa a parede de divisa, a primeira suspeita técnica recai sobre os pontos por onde o som escapa: fresta, caixa de tomada, junta mal preenchida, encontro da parede com o piso e com a fachada. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) registra, em comunicação técnica sobre alvenaria de blocos de concreto, que a eliminação de frestas pesa mais no isolamento do que o ganho de massa correspondente. Por isso a ordem que a VENCO recomenda em reforma é fechar primeiro o que vaza, acrescentar camada à parede depois e deixar por último a parede nova.
A resposta muda conforme a situação. Em parede de alvenaria existente que deixa passar a fala do vizinho, o trabalho começa pelas frestas e pelas caixas elétricas. Em parede nova, erguida na reforma para separar dormitório ou unidade vizinha, o resultado da alvenaria depende do bloco, do revestimento, das juntas e da execução, pelos condicionantes que o IPT lista; no drywall, pelos números da associação do setor, a composição indicada é a de duas chapas de cada lado com lã mineral no interior. E a expectativa de não ouvir nada do vizinho está acima do que a norma brasileira de desempenho toma como mínimo para obra nova, o que precisa ser dito antes de a obra começar.
Nível de silêncio que a norma toma como mínimo
A referência brasileira é a NBR 15575-4:2025, a parte da norma de desempenho que trata de paredes e fachadas de edificações habitacionais. Pelo item 1.2 da NBR 15575-4, ela não se aplica a reforma nem a obra já concluída. Em imóvel existente ela pode ser adotada como referência técnica, sem que isso signifique enquadrar o prédio como conforme ou não conforme.
A norma verifica o isolamento entre ambientes por medição no local, com portas e janelas fechadas, e a Tabela 21 da NBR 15575-4 pede mais da parede entre unidades quando um dos ambientes é dormitório. Um anexo informativo traduz os valores em percepção. A Tabela F.8 da NBR 15575-4 relaciona o isolamento à inteligibilidade de fala alta no ambiente vizinho, para uma faixa de ruído de fundo que a própria tabela fixa. O quadro abaixo posiciona cada situação dessa tabela em relação ao mínimo de obra nova para parede entre unidades com dormitório.
| Fala alta no ambiente vizinho | Posição em relação ao mínimo de obra nova |
|---|---|
| Ouve-se e entende-se | Dois degraus abaixo |
| Ouve-se e entende-se com dificuldade | Um degrau abaixo |
| Ouve-se, sem entender | No mínimo |
| Não se ouve | Acima do mínimo |
A leitura prática é que o mínimo de obra nova admite a fala alta do vizinho audível, desde que não seja compreendida. A percepção do morador sugere em que degrau está o isolamento entre os dois ambientes; quem confirma é a medição acústica.
Caminhos do som entre duas unidades
O som que chega ao outro lado não passa só pela parede. Na mesma comunicação técnica, o IPT descreve a transmissão em uma edificação real como a soma de quatro parcelas: a que atravessa o elemento de separação, a que passa por insertos como as caixas de elétrica, a que segue pela estrutura, pelos flancos, e a que contorna por vias externas. O resultado medido no local reúne todos esses caminhos e, segundo o instituto, é característico de cada edificação.
Os casos de campo que o IPT apresenta mostram onde o som passou em paredes de geminação, as que separam duas unidades: no encontro da parede com o piso, pelo contorno da fachada sob a janela e em juntas mal executadas no meio do pano. O instituto observa ainda que a arquitetura pode levar o resultado no local a ficar muito abaixo do obtido em laboratório, mesmo com a alvenaria bem executada.
A consequência para a reforma é direta. Reforçar a parede de divisa rende pouco quando o som está contornando por outro caminho, e a identificação desse caminho vem antes da escolha do material.
Parede de alvenaria: massa, revestimento e juntas
A alvenaria isola pela massa, mas o ganho por massa é lento. Pela lei da massa que o IPT apresenta, é preciso dobrar o peso da parede por metro quadrado para obter um ganho fixo de isolamento. Engrossar um pouco o reboco não produz esse efeito.
O que muda o resultado da alvenaria, pela lista do instituto, são a massa e a porosidade do bloco, o material e a espessura do revestimento, a forma de assentamento, com juntas apenas rejuntadas ou preenchidas, a presença e a posição de caixas e dutos, a qualidade da execução e a ancoragem da parede na estrutura. Em medições de um laboratório canadense reproduzidas pelo IPT, o revestimento de argamassa nas duas faces de uma parede de blocos vazados de concreto aumentou o isolamento pela massa acrescentada e, principalmente, pela selagem dos poros do bloco.
Daí uma verificação que a VENCO considera útil em vistoria, por leitura própria desses dados: trechos da parede de divisa que ficaram sem revestimento, como acima do forro ou atrás de armário embutido, e juntas verticais vazias. Na avaliação da VENCO, a vantagem da alvenaria é a tolerância ao uso, já que o isolamento dela não depende de enchimento interno. As desvantagens são o peso sobre a laje, a espessura e a obra molhada.
Parede de drywall: a montagem decide
Os dados a seguir são da Associação Brasileira do Drywall, que publica sobre o próprio sistema. Segundo ela, o desempenho acústico do drywall varia com a espessura da parede, o número de chapas de gesso e o uso de lã de vidro ou de rocha no interior. A associação equipara a composição que ela chama de chapas duplas de 12,5 mm a uma parede de blocos maciços de 9 cm, e os valores que ela mesma publica colocam esse conjunto abaixo do mínimo que ela citava da norma para paredes entre apartamentos, em publicação de 2019. Já a parede com duas chapas de cada lado e lã mineral no interior supera com folga os patamares da norma que a entidade cita, pelos números que ela divulga; reportagem técnica reproduzida no blog da associação descreve o conjunto com cerca de 20 cm de espessura. São índices do sistema divulgados pela associação, sem indicação de que tenham sido medidos em obra, e não equivalem ao resultado da parede construída.
As publicações da associação trazem também cuidados de execução. A banda acústica, uma fita de espuma autoadesiva, vai no contorno da estrutura para reduzir a passagem de som pelas frestas. Em reportagem técnica reproduzida no blog da entidade, a orientação é defasar as caixas elétricas dos dois lados da parede em pelo menos 10 cm, com lã mineral no contorno. Um dado independente aponta na mesma direção: medições de um laboratório canadense reproduzidas pelo IPT mostram perda de isolamento em uma parede de gesso acartonado ensaiada com caixas de elétrica metálicas alinhadas nos dois lados, em comparação com a mesma parede sem caixas.
Na avaliação da VENCO, a vantagem do drywall é chegar a isolamento alto com pouco peso, em obra seca. A desvantagem é depender inteiramente da montagem: a expressão "parede de drywall" não descreve um resultado, e uma parede montada sem lã ou com tomadas costas com costas entrega menos do que o projeto previa. A comparação completa entre os dois sistemas está no artigo sobre drywall ou alvenaria na reforma.
Ordem de intervenção na reforma
Primeiro, fechar o que vaza: frestas, juntas, caixas elétricas e encontros da parede com piso, teto e fachada. Depois, acrescentar camada à parede existente. Parede nova entra por último, com a montagem definida em projeto. Sem identificar o caminho do som, o reforço da parede pode não resolver.
A primeira etapa tem lastro no dado do IPT sobre frestas e costuma ser a de menor intervenção. A segunda, o acréscimo de uma camada de drywall com lã mineral sobre a parede existente, do lado de quem reforma, é recomendação da VENCO e não vem de fonte setorial; ela consome alguns centímetros do ambiente e exige o mesmo cuidado com contorno e caixas elétricas. A terceira cabe quando a reforma já prevê parede nova, por redivisão da planta. A VENCO atua em São José dos Campos e no Vale do Paraíba.
Em qualquer das etapas, a expectativa de silêncio do morador é discutida antes da obra, porque orienta a escolha da solução; o resultado só se confirma por medição. O escopo de reforma atendido pela VENCO está na página do serviço.
Índice de catálogo e medição no local
Catálogo de bloco e de chapa traz índice de isolamento obtido em laboratório, com a parede ensaiada sozinha. A norma verifica outra grandeza, medida entre os dois ambientes prontos. Uma nota da Tabela F.12 da NBR 15575-4, que fica no mesmo anexo informativo, registra que o valor de um sistema instalado é tipicamente inferior ao de laboratório e que os índices de laboratório ali tabelados podem não levar ao atendimento do mínimo no local. Número de catálogo, portanto, informa o potencial do material e não o resultado da parede construída.
A medição acústica no local é serviço especializado, com equipamento e procedimento próprios. A vistoria de engenharia que antecede a reforma registra a queixa, localiza os pontos fracos visíveis da parede e do contorno e indica a medição quando a decisão depende do valor medido.
Perguntas frequentes
É normal ouvir o vizinho pela parede do apartamento?
Ouvir a fala alta do vizinho sem entender o que se diz corresponde, na tabela informativa da norma de desempenho, ao mínimo de obra nova para parede entre unidades com dormitório, nas condições de ruído de fundo que a tabela fixa. Entender a conversa sugere isolamento abaixo desse patamar. A norma não se aplica a obra concluída nem a reforma, e só a medição acústica confirma o valor.
Parede de drywall entre apartamentos isola menos que alvenaria?
Depende da montagem. Segundo a Associação Brasileira do Drywall, que publica sobre o próprio sistema, o desempenho varia com a espessura da parede, o número de chapas e o uso de lã mineral. A associação equipara a composição de chapas duplas de 12,5 mm a blocos maciços de 9 cm, com valor abaixo do mínimo que ela mesma citava da norma para paredes entre apartamentos, em publicação de 2019, e informa que a de duas chapas de cada lado com lã mineral isola bem mais. A execução do contorno e das caixas elétricas pesa nos dois sistemas.
Tomada na parede de divisa deixa passar barulho?
Pode deixar. O IPT inclui as caixas de elétrica entre os caminhos de transmissão do som em uma edificação real e reproduz medições de um laboratório canadense com perda de isolamento em parede de gesso acartonado quando caixas metálicas ficam alinhadas nos dois lados. Reportagem técnica reproduzida pela Associação Brasileira do Drywall orienta defasagem mínima de 10 cm entre elas, com lã mineral no contorno.
Engrossar o reboco melhora o isolamento acústico da parede?
Pouco, quando o objetivo é ganhar massa: pela lei da massa que o IPT apresenta, é preciso dobrar o peso da parede por metro quadrado para obter um ganho fixo de isolamento. Em medições de laboratório reproduzidas pelo IPT, em parede de blocos vazados de concreto, o revestimento ajudou principalmente ao selar os poros do bloco, e o instituto registra que a eliminação de frestas pesa mais do que o ganho de massa correspondente.
Como saber quanto a parede isola de verdade?
Por medição acústica no local, feita entre os dois ambientes, com portas e janelas fechadas. O índice de catálogo do bloco ou da chapa vem de laboratório, e o anexo informativo da norma de desempenho registra que o valor do sistema instalado é tipicamente inferior. A vistoria de engenharia localiza os pontos fracos visíveis e indica a medição quando a decisão depende do valor.
Normas e fontes citadas
- ABNT NBR 15575-4:2025 · Desempenho — Parte 4: sistemas de vedações verticais internas e externas (SVVIE) (1.2, 12, Tabela 21, Tabela F.8, Tabela F.12)
- Condicionantes do desempenho acústico de alvenarias de bloco de concreto (Comunicação Técnica nº 175839) · Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), 01/08/2018
- Conheça 7 mitos e verdades sobre o drywall · Associação Brasileira do Drywall, 15/08/2019
- Como garantir isolamento acústico do drywall em projetos residenciais · Associação Brasileira do Drywall, 14/08/2019
- Paredes duplas de drywall podem elevar o desempenho acústico de construções · Associação Brasileira do Drywall (reportagem técnica reproduzida no blog da entidade), 10/01/2019
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Conteúdo técnico elaborado pela equipe de engenharia da VENCO Engenharia, empresa de engenharia civil de São José dos Campos. Os requisitos normativos remetem à edição de cada norma indicada acima, vigente na data de publicação.
Este conteúdo é informativo e não substitui vistoria com responsabilidade técnica registrada. Os requisitos citados devem ser confirmados no exemplar licenciado da norma.


